O fim de um projeto e o início de outro

O fim de um projeto e o início de outro
Jorge Costa

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JOGO DO BICHO - A O JOGO, na pessoa do seu diretor, agradeço este tempo em que fiz parte de uma extraordinária equipa.

Há mais de sete anos que escrevo todos os domingos em O JOGO, com um extremo prazer, procurando abordar a atualidade futebolística, com atenção especial a outros momentos solenes do desporto português.

Estou de volta a Portugal depois de ter andado pelo mundo. Gabão, Tunísia, Roménia, Chipre, França, foram países onde trabalhei nestes anos, nuns com sucesso, noutros nem tanto, mas sempre apostado em evoluir profissionalmente e m contribuir para a boa imagem que os treinadores portugueses têm no mundo do futebol. Ou seja, tenho andado por aí, conhecendo culturas diferentes, pessoas diferentes, umas boas, outras nem tanto, mas ninguém disse que este mundo era um mar de rosas.

Conheci e treinei excelentes jogadores, que me ficam para vida, como desejo que eu também lhes tenha passado alguns dos meus ensinamentos que não esquecerão, resultado de anos e anos de profissionalismo. E em cada projeto que abracei procurei sempre dar o melhor de mim, com as minhas equipas técnicas, e tentei o sucesso, porque é isso que todos procuramos.

A minha "aventura" começou em 2006 em Braga e não mais parou. Os tempos mortos que tive na minha vida profissional não foram muitos, felizmente, mas quase sempre exerci na pele de emigrante. E emigrante sofre com saudades deste país que amo, deste Portugal eterno na minha vida e forte na minha alma. De todas as crónicas que escrevi, acho que a que me deu mais prazer foi quando Portugal se sagrou campeão europeu em 2016, pela mão desse grande senhor chamado Fernando Santos. Muitas outras me deram prazer, todas foram escritas com consciência de que não se pode agradar a todos. Aliás, não sei quem disse que para se encontrar o insucesso deve tentar-se agradar a todos. Se magoei alguém, peço desculpa, foi sempre com a melhor das intenções que dei a minha opinião. Chega hoje o fim a minha colaboração com O JOGO. Abracei um novo projeto, que me anima e no qual vou apostar o melhor de mim. Ao aceitar treinar o Farense marquei o meu regresso ao futebol português e a uma região onde fui já muito feliz, com a subida do Olhanense em 2009. Agora, o meu objetivo é outro - manter este histórico Farense, histórico do futebol português, na I Liga. É uma tarefa árdua, é verdade, mas todos juntos seremos capazes de o conseguir. Tenho muita gente boa a trabalhar comigo, ótimos jogadores, ótimos dirigentes, ótimos companheiros de trabalho.

Aos leitores de O JOGO deixo o meu obrigado por me terem lido. E só o regresso ao futebol português me obriga a deixar este convívio semanal, porque não seria eticamente correto estar a escrever sobre colegas e adversários, estando eu envolvido na luta. A O JOGO, na pessoa do seu diretor, quero agradecer profundamente este tempo em que fiz parte de uma extraordinária equipa que nunca esquecerei e que me encheu de orgulho. Obrigado.