Premium "FC Porto precisa de fazer uma introspeção"

"FC Porto precisa de fazer uma introspeção"
Jorge Costa

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JOGO DO BICHO - Um artigo de opinião de Jorge Costa.

O campeonato terminou e o Benfica foi o campeão. Quando se ganha com dois pontos de avanço, falar em justiça é sempre muito relativo, mas não quero com isto dizer que o Benfica não mereceu esta conquista. Afinal, recuperou de uma desvantagem de sete pontos, e fez uma prova imaculada em termos de resultados desde que venceu no Estádio do Dragão. É um campeonato marcado por muitas decisões polémicas do VAR. E havia outro perigo: quando vamos buscar razões externas para explicar as derrotas, corremos o risco de não fazer uma introspeção para perceber o que esteve mal, porque é que não se conseguiu aguentar uma vantagem confortável como aquela que o FC Porto chegou a ter? E o FC Porto precisa de fazer essa introspeção. O clube, os adeptos, toda a família portista merece isso. Por exemplo, depois da lesão de Aboubakar, que na época passada foi o goleador de serviço. Quem é que o FC Porto foi buscar no mercado de janeiro? Ficou mais forte?

Ainda assim, o FC Porto despediu-se deste campeonato com uma vitória num clássico, uma vitória indiscutível, num jogo que ficou marcado pela expulsão justa de Borja, aos 17 minutos. O jogo aí ficou desde logo alterado, porque com menos um o Sporting baixou as linhas e assistiu-se a um jogo de um só sentido, entre duas equipas com estados de espírito diferentes. Uma confortável, a pensar apenas na final da Taça do próximo domingo e a outra ainda com a esperança de chegar ao título. Os jogadores não são máquinas e naturalmente que o andamento do resultado no Estádio da Luz foi tomando conta do espírito dos jogadores, provocando uma natural perda anímica. Curiosamente, na segunda parte, quando essa réstia de esperança já nem existia, o FC Porto foi mais equipa, dominou ainda mais, procurou o golo, nunca se deixou desmotivar. E isso revela bem a saúde mental de um grupo que sente alguma revolta por não ter alcançado um dos objetivos da época, o mais importante de todos.