"Jonas encarnou espírito do 1 de abril", a opinião de Jorge Costa sobre o clássico

 foto Artur Machado/Global Imagens

Foi um jogo difícil para todos, a começar pelo árbitro. Numa semana em que tanto se falou de Jorge Sousa, a pressão sobrou para Carlos Xistra, mas a realidade é que soube lidar com ela.

O título desta crónica até pode atirar para uma crítica ao árbitro, mas não é isso. Carlos Xistra esteve bem no clássico Benfica-FC Porto (1-1), tirando uma ou outra situação, mas errou no lance da grande penalidade; não lhe atribuo qualquer culpa nisso. Era difícil não marcar grande penalidade num lance assim corrido, mas ao pormenor percebe-se que Jonas encarnou na perfeição o dia 1 de abril, dia das mentiras. Soube "fazer" a grande penalidade e enganar o árbitro e meio mundo, protagonizando ainda uma outra cena em que se deu à provocação junto ao banco do FC Porto. O lance foi também a sequência de uma entrada fortíssima do Benfica no jogo, impedindo o meio-campo portista de lhe cortar a dinâmica, que era realmente muito forte. Quando o FC Porto conseguiu assentar, equilibrou o jogo, passou para cima, teve mais posse de bola - e não é fácil fazê-lo no Estádio da Luz -, embora sem criar grandes oportunidades, mas esteve bem nesses 35 minutos, levando o Benfica a jogar em contra-ataque.

No segundo tempo, o FC Porto entrou claramente à procura do empate, como tinha de ser. E conseguiu-o, podia mesmo ter feito o 2-1 por intermédio de Soares. O 4x4x2 do Benfica, em oposição ao 4x3x3 do FC Porto, resultou num jogo muito interessante, bem jogado, animado, com as equipas sem medo. Mais do que estes sistemas, há que valorizar a forma como atuou o meio-campo portista: Danilo "pegou" em Jonas e não o deixou mostrar-se perigoso nas entrelinhas, sobrando-lhe ainda tempo para estar em cima das movimentações interiores de Rafa. Danilo foi, assim, o médio mais solto que fez emperrar a máquina ofensiva do Benfica, que nos momentos em que logrou consegui-lo, criando uma série de oportunidades, encontrou Casillas a mostrar toda a sua grande classe em três momentos de alto nível. Ainda sobre o meio-campo portista, ficou bem evidente a leitura impecável feita por Nuno, colocando Óliver e André André a tomar conta de Samaris e Pizzi. Revelou conhecimento do adversário, preparou muito bem a equipa e ninguém o pode acusar de ter feito mal as substituições. Corona estava a cair na fadiga, e isso notou-se nos últimos lances em que esteve em campo. As substituições não resultaram? É verdade que não, mas isto não é uma crítica a Nuno. As entradas de Jota e de André Silva (este para o lugar de Soares) justificaram-se, mas nem um nem outro fizeram aquilo que deles se esperava, num momento em que o jogo estava a cair para o lado do Benfica. Por experiência própria, sei que não é fácil entrar para um jogo numa fase em que nada está decidido, no Estádio da Luz, mas de Jota e André Silva esperava-se mais; não deram tudo o que tinham de dar para que as suas entradas resultassem. Há dias assim.

O espetáculo teve muita qualidade, como disse, foi bem jogado, e pode dizer-se também que o FC Porto está mais perto do título, desde ontem. Parece-me que o calendário é mais favorável ao FC Porto e que pode passar por Alvalade a decisão deste campeonato. Para isso, é também necessário que o FC Porto não perca pontos até ao final. Este jogo era determinante para o título? Era sobretudo um teste de fogo para o FC Porto. Passou-o.