Premium Carlos Queiroz dá um ar da sua grande classe

Carlos Queiroz dá um ar da sua grande classe
Jorge Costa

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JOGO DO BICHO - A bola não chega a Messi na seleção como lhe chega no Barcelona. É a rigidez táctica

Neste período do defeso do futebol europeu, os nossos olhos estão voltados para a Copa América, que está a decorrer no Brasil. Curiosamente, e aqui deixo a minha estupefação, decorre também a Gold Cup e começou entretanto a CAN, que é uma prova que já joguei como treinador, de grande qualidade, de muita emoção e que, nesse particular, não fica em nada atrás do Campeonato do Mundo ou da Europa, pelo menos em ter mos de emoção e de organização. Sei que há condicionantes diversas, mas se calhar a FIFA poderia ter outra sensibilidade para a calendarização destas provas, que acabam por tirar o foco umas às outras. Para já, vamos então falar da Copa América e particularmente da Argentina, que arrisca não se apurar para a fase seguinte. Tem hoje um jogo decisivo e acredito que vai acabar por se apurar, mas o risco está lá. Falamos da Argentina e naturalmente falamos também de Messi, que não tem tido na seleção, e não é de hoje, a mesma rentabilidade que tem no Barcelona, aliás, concordo com quem diz que nem parece o "mesmo" Messi - apanha-se até alguma tristeza no seu rosto durante os jogos. Mas porque é que isto acontece? Anda aí uma imagem de Messi a ir buscar a bola aos centrais para... ter bola. Vi muitas vezes o Rui Costa, o Figo, o Deco fazerem isso, porque a bola não lhes chegava. E esse é um dos problemas da Argentina, a falta de dinâmica. Os jogadores estão demasiado amarrados a um modelo de jogo, demasiado estáticos na posição que lhes é determinada, e não "desobedecem" ao treinador. E por vezes é preciso "desobedecer" aos treinadores, ser selvagem no bom sentido, procurar mais o jogo, servi-lo mais. Os argentinos estão demasiado presos às ordens do treinador, demasiado amarrados a um modelo e por isso a bola não chega a Messi como devia, como lhe chega no Barcelona. E que diferença foi ver a Colômbia a jogar (contra a Argentina).

A Colômbia de Carlos Queiroz. Pode haver quem não goste dele em Portugal, eu gosto muito, ensinou-me imenso, continua a ser um grande treinador. Depois de um excelente trabalho no Irão, não é fácil chegar a uma outra seleção e, em pouco tempo pô-la a vencer assim e a jogar bem. A vitória contra a Argentina lançou a equipa para o apuramento, que ficou selado no jogo a seguir com o Catar. E que bom é ver a Colômbia jogar, com alguns nomes em destaque e que nos dizem muito, como Radamel Falcao ou James Rodríguez... No lote das estrelas desta Copa América não está Neymar, mas está o Brasil, embora sem jogar bem nem a entusiasmar o seu público, continua para mim a ser um dos maiores favoritos a ganhar a prova. Não há muita gente nas bancadas quando não é o Brasil que joga, mas teremos de colocar bem no alto a oganização da prova, que está a decorrer muito bem e a proporcionar também bons espectáculos embora alguns a horas proibidas para nós europeus...