Verdade desportiva?

Jorge Coroado

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JUIZ DE TURNO - Um artigo de opinião de Jorge Coroado.

Oficialmente, sem pontapé na bola para pontuar ou eliminar, já decorre a temporada 2019/2020. Contratações, transferências, referência a muitos milhões, declarações de que principal Liga é competitiva, ombreia com as mais interessantes e revela ser produto para exportação, servem para motivar o pessoal, enganar os incautos. Modificações, busca de mais rigor, verdade e transparência pouco (nada) se ouve falar, apesar de haver quem aborde lavandarias e a própria AT refira ser negócio a ter debaixo de olho. Verdade desportiva não se compra na farmácia, não surge da adoção de tecnologias. É desiderato que emerge de algo que se deseja estrutural, intrínseco, decorrente de uma sólida base educativa, cultural e desportiva. Clamar contra violência, ausência de respeito e consideração é imperioso e afirma-se essencial, porém, sendo aqueles comportamentos haveres de um povo para quem o próximo apenas conta por ação de campanhas solidárias, público consumidor de modalidade que, apesar da organização possuída, ainda muito necessita de melhorar, porquanto, se ao nível das divisões superiores sobrevêm laivos de alguma democraticidade, desejável seria que todo o edifício futebolístico dispusesse e se regesse por práticas administrativas e disciplinares céleres, devidamente capazes de punirem incumpridores e não bafejando-os com promoções alcançadas através dos mais diversos artifícios.

Promover a mentira
Não é punindo infratores com um ou dois jogos à porta fechada ou de interdição do próprio estádio, em detrimento da adequada perda de pontos, que a verdade desportiva é defendida. A sanção deve ser executada na própria época. Homologar uma competição quando sobre o vencedor impende processo disciplinar capaz de lhe retirar pontos, é promover a mentira, defraudar demais competidores.

Autoflagelação
A arbitragem reclama amiúde da violência física, verbal e emocional sobre si exercida. Não lhe falta razão, contudo, não tem sabido encontrar forma de promover imagem, granjear reconhecimento e aceitação. Instruir os árbitros para interromperem os jogos ao menor ruído e manifestação de insatisfação é grosseira autoflagelação e manifesto contributo para proveitosos artifícios disciplinares