Uma lição de economia

Jorge Coroado

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A FIFA, como responsável pela organização do evento, concentra e administra tudo quanto possa gerar riqueza tendo por base a competição

Um evento como o que decorre no Brasil, mais do que elevar arte e engenho dos executantes enforma de contornos mais vastos que a simples superação desportiva. O estilo, a beleza, a mobilização do gosto e das sensibilidades impõem-se como imperativos estratégicos das marcas: o capitalismo do hiperconsumo é um modo de produção estética.

As indústrias de consumo, design, moda, publicidade, decoração e cinema encontram no futebol espaço e tempo suficientes para, de forma massificada, criarem produtos plenos de sedução, tentando veicular afetos e sensibilidade, num universo estético heterogéneo que vai proliferando. E o real vai-se construindo como uma imagem com dimensão estética, que se tornou cada vez mais importante na concorrência entre as marcas globais.

A divulgação de videoclips publicitários envolvendo as mais diversas "estrelas" sempre que se perfila organização do género é exponencial à dimensão do evento. É isto o capitalismo artístico, que se caracteriza pelo peso crescente das experiências e sensações, por um trabalho sistemático de estilização dos bens e dos locais comerciais, pela integração generalizada da arte, do visual e do afeto na esfera do consumo.

Ao criar uma paisagem económica caótica a nível mundial estilizando o universo do quotidiano, "o capitalismo é menos um ogre que devora os seus próprios filhos do que um Jano de duas faces". Atente-se no mercado brasileiro de meios eletrónicos de comunicação. Com o aproximar do evento, segundo dados divulgados pela Anatel (entidade reguladora lá do sítio) em maio, a TV por cabo cresceu 1% para 18,8 milhões de subscritores. No final do mês existiam cerca de 28,7 clientes de TV por subscrição em cada 100 habitações. A Oi adicionou 21 mil clientes tendo aumentado a sua quota de mercado para 4,60%. A Telefónica adicionou 11 mil clientes tendo aumentado a sua quota para 3,29%. Relativamente ao negócio de internet fixa, em maio, constatou-se um crescimento de 0,8% para 23,1 milhões de subscritores segundo dados divulgados pela mesma Anatel. No final de maio existiam cerca de 35,4 clientes de internet fixa em cada 100 habitações. A Oi somou 12 mil novos clientes e a Telefónica adicionou 15 mil.

São números locais alusivos a negócio concreto cuja expansão se fez notar com o aproximar da competição. Outros produtos, outras marcas, outros negócios se desenvolvem à sombra da motivação do futebol. A FIFA, como responsável pela organização do evento, concentra e administra tudo quanto possa gerar riqueza tendo por base a competição, sabe onde se encontram os mercados de maior divulgação, penetração, expansão e consumo que melhor poderão satisfazer interesses dos patrocinadores, de igual modo não olvida o quanto pode uma vitória potenciar a vontade e o querer do público na aquisição deste ou daquele produto. A bom entendedor...