Proença pode ser regente daquele reino

Proença pode ser regente daquele reino
Jorge Coroado

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Pedro Proença, ao dirigir três jogos na prova, constitui-se como segundo filiado português a consegui-lo, depois de Olegário Benquerença na África do Sul

A realidade portuguesa é assim e não há como lhe dar a volta. Passa-se de um extremo ao outro com a maior das facilidades, o meio-termo é inexistente ou quase. Em muitas circunstâncias esse comportamento revela pura hipocrisia, cinismo bem disfarçado, pois volvido o tempo de bonança, surgida a tempestade, rapidamente todos se afadigam a encontrar motivos, razões e justificações para o insucesso. A realidade é simples e pragmática: quando todos dizem bem, aquele que, porventura, sonhar dizer algo que vá contra a corrente não passa de arauto da desgraça, pretenso sabichão, adivinho mal concebido, por vezes apelidado de ressabiado. A recente eliminação da Seleção Nacional é disso exemplo. Aquando da divulgação dos jogadores eleitos pelo responsável técnico algumas dúvidas foram levantadas, tenuemente foi questionado porque A e não B mas rapidamente se desvaneceu, porque o "superior interesse da equipa" se sobrepunha a quaisquer conjeturas.

A preparação iniciou-se, o período pré-campeonato, denominado estágio, decorreu sem que fossem levantadas quaisquer interrogações ou afloradas situações menos explícitas. A derrocada verificada no encontro diante da Alemanha fez espoletar opiniões contidas para mais tarde, após a partida com os EUA, com o vislumbre de consequente abandono prematuro da competição com saída pela porta dos fundos, sobrevirem todas as nuvens negras que pairavam no horizonte. Foi um ápice da alegria/euforia à frustração/insatisfação. De elogios, apoios, incentivos, motivações, etc., exagerados, distantes da realidade, rapidamente se passou à dúvida, à suspeita, à crítica fácil, à análise derrotista sem dó nem piedade.

Porque somos pródigos em encontrar justificação para tudo, porque desde sempre nos habituámos a caçar com gato quando não há cão, depressa as agulhas viraram de azimute. Há que descortinar algo que sirva para alimentar egos, ajudar a minorar o desagrado e a ausência de motivos positivos na avaliação do Brasil"2014. Assim, não se estranha que de um momento para o outro, o árbitro português e seus assistentes presentes na competição, tenham virado alvo das atenções, mesmo que as prestações do elemento principal não resultem escorreitas. Pedro Proença, ao dirigir três jogos na prova, constituiu-se como segundo filiado português a consegui-lo depois de Olegário Benquerença na África do Sul. O desempenho alcançado no Holanda vs. México, caso tivesse sucedido em partida do campeonato português seria alvo das mais díspares análises e censuras. Porque convém a alguns sectores enaltecer o feito, branquearam-se erros, mesmo que o jogador Robben, protagonista dos mesmos, tenha expandido realística versão dos factos. Diz-se que em terra de cego quem tem olho é rei. O grosso das arbitragens permite dizer que não sendo rei, Pedro Proença pode perfeitamente ser regente daquele reino.