Os papagaios são os mesmos...

Ao contrário do habitual, em que, por norma, são as arbitragens as mais visadas, na ronda do passado fim de semana o lance sujeito a mais considerandos e adjetivações foi aquele em que, nos últimos instantes da partida, Tonel, jogador de "Os Belenenses", jogou a bola com a mão, cometendo a grande penalidade originadora do resultado final.

Tratou-se de erro infantil, impróprio e inaceitável em alguém com a experiência daquele profissional. Porém, tivesse o lance ocorrido como ocorreu e não fosse assinalado o correspondente penálti, seria o bom e o bonito. As hostes sportinguistas, como habitualmente - esquecendo que "o homem foi feito para pensar. Essa sua dignidade é um mérito, seu dever é pensar bem (Pascal)" -, não deixariam de zurzir forte e feio na equipa de arbitragem, não cuidando de saber se poriam em causa a dignidade e o bom-nome, nomeadamente, de Artur Soares Dias. O filiado na associação do Porto não teria um séquito a defendê-lo. O seu primeiro responsável não viria a terreiro expressar-lhe solidariedade. Da associação de classe, provavelmente estribada na crítica recorrente que é feita ao sector, nada se ouviria. Não viria mal ao mundo porque todo e qualquer árbitro, sempre alvo de inúmeras injustiças, facilmente se consola sabendo que o verdadeiro infeliz é quem as pratica. O jogador de "Os Belenenses" deve também assim pensar e, simultaneamente, não olvidar que uma palavra sensata deve ser ouvida, mesmo que provinda de um papagaio, coisa que não sucedeu em tudo o que sobre si foi dito, e que sobre os árbitros é sistematicamente proferido pelos mesmos papagaios!