Premium A imagem atual da arbitragem tem aspeto foleiro

A imagem atual da arbitragem tem aspeto foleiro

APITADELAS - A imagem atual da arbitragem, qual corpo bem feito, tem aspeto foleiro, lembrando aquelas mulheres de maquilhagem bastante carregada que, apesar de vestirem o seu melhor vestido domingueiro, não deixam de evidenciar um aspeto ordinário (pose, atitude) e espaventoso

Na arbitragem, desde dirigentes a dirigidos, poucos são aqueles que fogem ao hábito de se entregarem a autocomiserações, porém o universo do sector mostra-se incapaz de análises introspetivas, descurando haver ocasiões em que se é forçado a parar para poder refletir nas coisas da atividade. Não apenas pelos próprios, mas também para evitar que os outros sejam ou se sintam magoados. Tempos houve em que era possível acreditar-se em afirmação de classe, assunção de responsabilidades, capacidade de comunicar, expor, demonstrar de modo transparente, independente e assertivo. Volvidos tantos anos, pelas práticas e demonstrações recentes, só mesmo acreditando em contos de fadas será possível vislumbrar remota oportunidade para que tal aconteça.

A estrutura do sector evidencia-se caduca, numa atuação calcada por práticas, hábitos e relações perniciosas, decerto nada disponível a evitar uma cultura incapaz de se defender de gentes cujos propósitos e objetivos não vão além do próprio umbigo. Para o comum do adepto, mais interessado no golo ou no penálti favorável à sua equipa, é virtualmente impossível adivinhar até que ponto a ruína ética prevalece, mas se as entidades com responsabilidades na orgânica do futebol não são capazes de impor e controlar a erradicação de tais práticas, como fazê-lo? Será que não percebem que tal lacuna drena o moral de todos os intervenientes?