Queimar etapas

Joel Neto

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Bruno de Carvalho elegeu os agentes como primeiros inimigos, e eu posso perceber porquê. Em regra, os chamados "empresários" são tão úteis no topo do futebol, em que há dinheiro para desperdiçar na procura de mais dinheiro ainda, como são perniciosos no fundo da escala, em que tantas vezes atravancam os negócios e ainda são mais uma comissão a somar às despesas. O problema é que pelo meio há uma terceira categoria, que é a da mobilidade - e essa categoria funda-se ainda mais claramente do que o topo no modelo capitalista. Pois raramente há mobilidade sem mediação. E os mediadores são os agentes. Custa a olhar para eles quando se está na posição do Sporting? Sim, custa. Mas o Sporting não tem possibilidade de sair relativamente depressa da crise senão movendo-se, queimando várias etapas de uma vez, saltando. E isso só se faz de uma maneira: vendendo dois ou três jogadores a preços obscenos nos próximos 12/15 meses. Ora, tal coisa não se obtém, hoje, sem agentes. Custe ou não gerir a banha da cobra que eles sempre tentam impingir ao cliente prostrado na lama. E o melhor é, postos os pontos nos is, Bruno de Carvalho passar à definição de quem são os agentes que poderão ajudá-lo na "remontada". Se alguma coisa este tempo nos ensinou, foi isto: nenhuma austeridade resolverá uma crise se não houver um mínimo de perspetivas de crescimento.

Que crueldade

Pinto da Costa sublinhar que torceu pelo V. Guimarães na final da Taça já está mais no campo do "bullying" do que outra coisa qualquer. "Época fantástica", diz Jesus? Eu não conseguiria imaginar época pior. E confesso alguma expectativa em torno do ânimo de sócios e adeptos benfiquistas no arranque da próxima.

Espectro do fim

O Salgueiros está de regresso à II Divisão, agora com o nome de Salgueiros 08. O que eu temo é que, daqui a não muitos anos, uma parte importante dos nossos campeonatos profissionais seja constituída por 08's, 13's, 14's e 15's. Oxalá me engane.