Pergunta central

Joel Neto

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Mourinho ainda é o melhor?

As especulações foram apenas um entretém: era evidente, e há muito, que seria Mourinho a ocupar o banco de Ferguson (e, já agora, que Van Gaal haveria de partir triste e humilhado). Mas há dois aspetos nesta chegada do Special One a Old Trafford que reduzem as possibilidades de um conto de fadas, ainda que presida o estado de graça.

O primeiro tem a ver com a história recente do United e as limitações do português na relação com uma expectativa em particular. O segundo com o atual cosmos do futebol e o lugar que o treinador ocupa nele.

Mourinho chega a Manchester com quase dez anos mais do que Alex Ferguson chegou em 1986 e com mais três do que aqueles com que disse que finalizaria a carreira. É difícil acreditar que possa ficar três décadas, como o escocês, nem tão-pouco seria razoável esperá-lo. Mas é isso que os adeptos dos red devils esperam - que ele seja o novo Ferguson, no fundo - e, para obviar aos efeitos de tal expectativa, será preciso começar a ganhar depressa.

Por outro lado, o regresso do confronto direto com Guardiola (com derby e tudo) tornará a Premier League 2016/17 numa disputa sobre qual deles, de facto, é o melhor. E já não é tão claro hoje - apesar de tudo o que ganhou e dos monstros que teve de enfrentar, aspeto em que Pep esteve sempre protegido - que José ainda lidere essa disputa, muito menos que constitua aquilo que já nem lhe chamamos: o melhor treinador da sua geração.

Está demasiado em jogo, para Mourinho, no Manchester. Como ele gosta, até certo ponto. Mas não acredito que, no meio do desejo visceral de vencer, não haja hoje outra relação com a vertigem de falhar. O que poderá vir a seguir à verdadeira cadeira de sonho que constitua mais do que um exílio dourado?