No Bayern, isto é

Joel Neto

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Protestam os adversários de Luís Filipe Vieira que este não era o momento para anunciar a venda de Renato Sanches. Percebo a vertigem: o Benfica tem historial recente de estragar tudo por, em cima da linha de chegada, se pôr a cheirar as flores.

Mas não este Benfica. Este Benfica, o Benfica de Rui Vitória, já resistiu a tudo. Já resistiu a maus jogos e a falhanços monumentais, já resistiu ao cansaço e até à expulsão de uma superestrela. Neste momento creio que podemos dizê-lo com alguma segurança: durasse o campeonato mais 20 jogos, ao sol e à chuva, com tsunamis e derrames nucleares, e o Benfica continuaria a segurar aquela vantagem que lhe dá a liderança no campeonato.

De resto, e depois da expulsão na Madeira, Renato Sanches viu aumentar ainda mais a pressão sobre si próprio em Portugal. Ou muito me engano, ou a pressão a que será sujeito no Bayern é bastante menor do que aquela que doravante impenderia sobre ele. Portanto, até por aí o timing serve.

A minha dúvida são os termos do contrato. 35 milhões de euros fica aquém do triunfalismo vigente. 80 milhões talvez se lhe equivalha, mas exige coisas tão superlativas como Sanches ser nomeado para o onze do ano da FIFA e - inclusive - para a Bola de Ouro.

Foi um bom negócio, sim. Mas para ser considerado um extraordinário negócio, então teríamos de avaliar Renato por aquilo que ele vale, em vez daquilo que nos esforçámos por convencer a opinião pública de que ele vale. E o problema é este: ninguém sabe ainda quanto vale Renato.

Antes ter como referência a personagem que se criou. E que se criou com sucesso.