Premium OPINIÃO: Um domingo normal

Um texto de opinião de Joel Neto.

UM DOMINGO NORMAL

Toca a fazer corninhos

O Benfica tem razão quando diz que há "dualidade de critérios" quanto ao que passa nos sistemas sonoros dos estádios antes, durante e depois dos jogos da I Liga (e não só). As autoridades às vezes estão atentas e outras parece que não.

Dito isto, 700 euros nunca penalizariam devidamente o clube da Luz pela reprodução de um "pasodoble" após a vitória sobre o FC Porto. E tão-pouco vejo como se poderia redigir uma norma e/ou estabelecer uma coima capaz de vigorarem sobre um gesto assim.

Foi sobretudo de uma má educação inominável fazer soar aquela canção. Portanto, só em tal sede se poderia resolver o problema: havendo da parte dos clubes um mínimo de brio, responsabilidade e educação.

Pelo contrário, os próprios speakers incitam sem constrangimentos ao mau receber, ao mau ganhar e ao mau perder. É um hábito disseminado pelos estádios portugueses e alheio a qualquer género de escrutínio ou rebate de consciência.

Quem se pode surpreender que, num tal contexto, ecoem os cornetins das touradas, se apaguem subitamente as luzes, desatem a esguichar os aspersores e demais atos com que, no exercício do seu fantástico desportivismo, os clubes portugueses berram: "Toma, toma!" ou "Vais festejar para a tua terra!"?

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Melhor tomarem cuidado

Acho interessante Pedro Proença considerar "todas as formas de protesto" contra o Governo. Mas quero ver se, no dia em que chegar aqui o dilema da Dinamarca - que vai chegar -, as autoridades do futebol português acham que os jogadores devem considerar "todas as formas de protesto".