O momento X

Joel Neto

Tópicos

É preciso detetá-lo

As coisas não correram bem a Nuno Espírito Santo, mas dizê-lo assim escamoteia o problema em toda a sua imponente dimensão. O FC Porto de Nuno jogou demasiadas vezes um futebol sensaborão, desprovido de autoridade, e não foi capaz de produzir uma prova de consistência em nenhum dos momentos de viragem que se lhe proporcionaram. A rescisão de contrato, ademais perante o equilíbrio do "statu quo" portista, hoje mais delicado do que noutros tempos, não pode surpreender ninguém.

Mas a entrevista concedida esta semana por Rui Alves ao "Diário de Notícias da Madeira" deve fazer-nos pensar. Diz o presidente do Nacional que segurar treinadores se tornara um elemento fulcral do ADN do clube madeirense e que, hoje, jamais decidiria dispensar Manuel Machado. E eu pergunto-me se continuar a experimentar treinadores até acertar evidentemente num deles será a melhor solução para Pinto da Costa.

Na pior das hipóteses, entre os quatro despedimentos acumulados nos últimos anos, um terá sido menos bem decidido do que os outros. A maior parte de nós pensará logo em Lopetegui, mas até pode acontecer não ser esse. Pinto da Costa é a pessoa em melhor posição para percebê-lo. E, provavelmente, é mesmo esse momento que o presidente portista deve procurar identificar.

Será difícil o FC Porto encontrar um novo José Mourinho, demolidor e indiscutível, nos próximos anos. Não há assim tantos Mourinhos. O mais normal será que o treinador a fazê-lo triunfar de novo precise, em algum dia de abismo específico, que a administração do Dragão engula em seco. Talvez daí, desse momento fundador, se reerga em definitivo. E não é de afastar que o exemplo de precipitação a não seguir se esconda algures nestes quatro anos de seca.