O erro de Simão

Joel Neto

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Faltou a inteligência

Não me juntarei ao coro dos que entendem que um futebolista não pode eleger o pior onze com que jogou. O discurso de futebol em Portugal está tão formatado, esvaziado e banalizado que censurar tal possibilidade já nem fica no domínio do politicamente correto, mas no do (digamos) insuportavelmente bafiento.

Falta sentido de humor entre nós. Falta ironia e falta autocrítica, e um jogador escolher o pior onze da carreira pode não só constituir uma importante ressalva a essa melancolia, mas trazer uma nova perspetiva a um debate que o excesso de "soundbite" ameaça reduzir a quase nada.

Isto em abstrato, claro. Em concreto, Simão foi Simão. Esqueceu-se da delicadeza essencial de se colocar a si mesmo no dito onze. Não por verosimilhança, mas por cortesia: ele próprio, no ataque, ao lado de Ouattara.

Teria sido um ato de inteligência capaz de proteger todo o humor da entrevista sem, por exemplo, provocar a reação - humana, evidentemente - de Fernando Aguiar. Mas eu não esperava melhor de alguém que tantas vezes vilipendiou um clube que o foi buscar pré-adolescente a Trás-os-Montes e lhe deu teto e sustento até o entregar à oportunidade de se tornar um homem...

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O fim de Tiger Woods

Começa a ser penoso assistir ao ocaso de Tiger. Meio Michael Jordan e meio Gary Kasparov, foi um dos maiores desportistas que alguma vez vi. Em 250 anos, nem um só melhor do que ele pisou o verde.

Pois está na altura de o deixarmos pendurar os tacos. Os majors de Jack Nicklaus ficam como prova de que há sempre um ou outro recorde nas mãos dos mortais.