Eles vingam-se

Joel Neto

Tópicos

Já era tempo disso

E, de repente, podemos bem vir a ficar sem nenhum dos guarda-redes titulares dos grandes: Ederson, Rui Patrício e Casillas estão todos (ou parecem estar) em diferentes estágios de negociação de contratos melhores. Tem uma série de significados, essa coincidência. Mas um sobre todos os outros: os homens da baliza vingam-se.

Ainda bem, porque são os jogadores mais negligenciados do futebol. Basta ver o ranking dos mais caros de sempre: apenas três ultrapassam os 25 milhões, e só dois nos últimos quinze anos. Apesar disso, são eles os mais frequentes bodes expiatórios de um fracasso. A eles cabe muitas vezes a conservação da mística do balneário. E nenhuma outra posição prevê tão pouca margem para errar.

Os guarda-redes são os bateristas do futebol. Não são tão famosos como os vocalistas, não são tão bem pagos como os guitarristas e só em casos muito excecionais - como o de Buffon - lhes pertence a liderança da banda. O único consolo que têm é que, como os bateristas, são eles quem parte mais corações às raparigas.

É mais uma prova de como elas fazem falta a este jogo: há pelo menos um aspeto em que o percebem melhor do que nós. Não é um aspeto pequeno: sabem bem onde está o heroísmo.

É FAZER AS CONTAS

Mais glória que plantel

Foi uma das melhores épocas da história do Benfica, e Rui Vitória merece-a. Mas vale a pena perguntar se este é um dos melhores plantéis da história encarnada também. Se não for, então as contas são evidentes: foi uma das piores épocas das histórias do FC Porto e do Sporting.