Anjos caídos

Joel Neto

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As pedrinhas da calçada

O que conta Abel Silva sobre o envolvimento do seu nome no processo Jogo Duplo ajuda a fazer o retrato tanto do bas-fond do futebol como das ansiedades sobre que floresce o crime gerado em torno dele. Chega a ser confrangedor ler aquelas palavras: pela ingenuidade, pela pressa, pela imaturidade em geral.

Uma pessoa que é contactada por um tipo cujo nome parece nem saber se é apelido ou alcunha, aceita a proposta de chefiar dois clubes profissionais, abraça a ambas as mãos trinta mil euros postos à sua frente e em nenhum momento se detém para refletir se aquilo faz o mínimo de sentido, ademais perante a modéstia do seu percurso profissional, só pode ser uma pessoa com uma boa capacidade de mentir a si mesma e um enorme desejo de acreditar nessa mentira.

A vulnerabilidade intelectual, a ambição desproporcionada e o desespero são sempre a porta de entrada do vício. Não me surpreende que sejam tantas vezes clubes de terceira linha, antigos jogadores, elementos de claques e árbitros menores os primeiros suspeitos: muitos não estão a caminho de lado nenhum. O que me surpreende é que o futebol ainda não tenha ganho sofisticação, enquanto indústria, para reduzir a margem de atuação dos seus vencidos.

O JOGO DO ANO

E joga-se em todo o lado

O Benfica diz que a segurança no clássico está garantida, mas não deixa de pedir aos adeptos que não arremessem objetos. Alguma coisa na segurança, portanto, permanece fora do seu controlo.

Um ponto para o FC Porto. Mas os mind games continuarão até ao apito final. Sinal de jogo grande.