Vendam os dedos. Também há interessados

Estamos longe de saber exatamente o que será esta Nations League

Demasiado fervor, por agora, é precipitação. Estamos longe de saber exatamente o que será esta Nations League, como será operacionalizada, que género de mobilização provocará e, aliás, se virá a vingar. A história das competições internacionais está cheia de fracassos, e alguns deles até foram apostas de charneira, como a Taça das Confederações ou o Mundial de Clubes.

Mas, em abstrato, vale a pena dizer isto: qualquer alteração ao mapa de competições, ademais tratando-se de reforçar a mercantilização do futebol, é arriscada tanto do ponto de vista do êxito como do da identidade do jogo; e qualquer competição que aumente a já extraordinária sobrecarga dos clubes começa a deixar de ser arriscada para passar a ser insana.

Mas isto sou eu, que acho que as contas nem sempre se fazem no fim. Para a UEFA, como para a FIFA, primeiro engendra-se, depois distribuem-se mordomias, a seguir fatura-se tudo o que se pode e só no fim se vê se de facto funciona, se é justo para com os diferentes players e se não desvirtua a modalidade.

Mas, se desvirtuar, desvirtuou, que isso é o menos importante.

MUNDO DE ILUSÕES

Onde é que isto vai parar?

Semanas em que não há Liga dos Campeões transformam os noticiários numa espécie de "jornais do incrível", com a ressalva de que as notícias são absolutamente verdade. Mas esta segundo a qual a liga espanhola passou a multar os clubes que não preencham 75% das bancadas focadas nas transmissões televisivas bate recordes.

Não é o futebol, não: é o tempo que vivemos. E é deprimente, às vezes.