Sou muito cool

Como Ronaldo e Mourinho

Ofensivas como esta que o fisco espanhol leva a cabo contra os profissionais de futebol de alta notoriedade deixam ao dinheiro efetivamente cobrado o papel de mero efeito secundário. O objetivo é usá-los para dar o exemplo, o que não deixa de ter os seus escolhos filosóficos.

Mas, independentemente disso, há uma medida certa. E quando se percorre aquele dossiê da "Marca" sobre o "Fisco Futebol Clube", a ideia que fica é que a autoridade tributária do país vizinho pode bem já tê-la ultrapassado.

Ser acusado pelo fisco passou a conferir ao contribuinte de Espanha uma espécie de estatuto especial. É como passar a integrar um clube exclusivo e até algo prestigiado, onde está toda a gente que interessa.

Isso não retira aos processos os riscos de coimas, multas e indemnizações milionárias. Mas retira-lhes o elemento da vergonha e, no limite, até o substitui pelo da aspiração. O que, por esta altura, já terá o efeito contrário ao desejado.

O CLUBE DA CARICA

Mas, agora, para valer mesmo

O RB Leipzig e o Red Bull Salzburgo foram autorizados a participar na Liga dos Campeões, apesar de serem ambos controlados pela Red Bull. Diz a UEFA que "não há violação" do artigo 5.º, em que se protege a integridade das competições e a verdade da concorrência. Vai passar-nos despercebido, mas é um precedente grave, que abre todo um novo campo de atuação à concentração capitalista, à mercantilização do jogo e - pior - à mentira desportiva, já sob ameaça pelo recrudescimento das apostas ilegais.

Às vezes acho que este jogo tem um desejo de morte.