A entrevista de Luís Filipe Vieira

1 - Somo perplexidades com o percurso mediático de Svilar. Já nem me arrisco a pôr em causa o seu valor ou o brilhante futuro que o espera. Tanto entusiasmo contagia. Mas a verdade é que se trata de um garoto, que jogou dois ou três jogos, sofreu um frango num deles e teve um azar dos Távoras em outro. Quererá o Benfica manter esta senda de entronização antes mesmo de o rapaz erguer os olhos para o seu destino? Quererá estragá-lo? Terá Vieira a noção das pressões que o rodearão quando chegar, de facto, a primeira proposta a sério?

2 - Nada a dizer sobre o profissionalismo de Soares de Oliveira. É competente, gizou o plano do milagre e nem por um momento oscilou na lealdade para com Vieira ou o Benfica. Tenho a certeza de que, de todos os pontos de vista - mesmo da paixão, porque não? -, seria um bom sucessor. Nem sequer duvido, aliás, de que os sócios encarnados integrem rapidamente a ideia. Mas pergunto-me: o que acharíamos nós se, há uns anos, nos dissessem que, para ser presidente de um clube, uma pessoa não teria de ser desse clube? E se esse clube fosse um dos grandes? E se fosse o Benfica?

3 - Helder Conduto é um excelente jornalista, a cujo início de carreira tive a sorte de assistir, e uma entrevista feita por si a Vieira estaria acima de suspeitas em qualquer meio que não um órgão oficial do clube. Não é muito diferente quando se trata da BTV, na verdade. Mas houve um tempo em que, como à mulher de César, não bastava às entrevistas serem irrepreensíveis, também convinha que o parecessem. Ontem, o país parou. E também isso eu pergunto: como é que os jornalistas independentes deixaram que a situação chegasse aqui? Como o deixou a opinião pública? Porque escrevo eu próprio sobre isto hoje?