A culpa também é nossa

HÁ QUE ENCARÁ-LO

A culpa também é nossa

Porque é que um clube precisa de um assessor para a arbitragem? O que faz, exatamente, um assessor para a arbitragem? E, se não é assessor para a arbitragem, então o que está Hernâni Fernandes a fazer no Sporting, como quadro ou com outra categoria qualquer?

Naturalmente, um clube que tanto tem tentado chegar-se à frente no processo de denúncia de um adversário arrisca-se a que se faça este tipo de perguntas. À partida, o tweet do Benfica tem razão de ser. Mas depois deixa de tê-la - e por completo - quando se confere outro tweet ainda: "Pressões e ameaças dão resultado. Um golo fora de jogo e quatro penáltis perdoados é de mais."

Mas, afinal, é legítimo um clube, num mesmo dia, criticar pressões e ameaças e avançar com insinuações e negaças?

O discurso em torno da arbitragem está cínico, destravado e irresponsável. Também estaria inconsequente se nós, espectadores e adeptos, lhe déssemos o devido valor. Damos-lhe mais.

Portanto, a culpa também é nossa. Aliás, devíamos assumi-lo por defeito: quando se trata de comunicação, na maior parte das vezes, a culpa é, sobretudo, nossa. É o recetor quem decide as tendências da comunicação: o emissor limita-se a perceber o que funciona.

VANTAGEM A SÉRIO

Nosso Senhor da Conceição

Ainda ninguém ganhou um clássico este ano. Mas já se disputaram três, portanto, todos os da primeira volta, e ninguém jogou mais em casa do que fora.

A liderança do FC Porto não tem asteriscos, pois. Com os meios que havia, os constrangimentos orçamentais, um treinador alternativo e quatro anos de seca, não era fácil.