BDC e Jorge Jesus

Joel Neto

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O sorriso de Mona Lisa

Um colapso como o que tem vindo a fazer tombar o Sporting pode acontecer em qualquer ano, em qualquer clube e com qualquer treinador. Mas não podia acontecer este ano, neste clube e com este treinador. Depois do quase-quase de 2015/16, gerou-se entre os sportinguistas a expectativa de que este era o momento. Talvez não seja. E, se não for, ou o leão consegue engolir um sapo maior ainda, ou então vai ter de rolar uma cabeça. É assim que eu entendo esta declaração de Bruno de Carvalho, segundo a qual espera ser campeão em maio. Mesmo dito naquele tom debonaire, e mesmo que nunca fosse permitido ao presidente de um clube grande referir-se ao assunto de outro modo: insinua-se ali um alerta ao até aqui intocável Jesus. Só há duas cabeças a cortar em Alvalade, e só será a do presidente se incluir golpe de teatro. Mas, enfim, pode ser que o sapo desça.

VERTEI LÁGRIMAS

Um homem sozinho e triste

Mourinho é um mestre até na chantagem emocional. Num mesmo dia, conseguiu pôr Del Bosque a defendê-lo contra os festejos de Conte - tão histriónicos como os do português em tantos momentos no passado - e o mundo do futebol em geral a lamentar a sua pobre situação pessoal, sozinho na cidade, enclausurado num hotel rodeado de paparazzi e com a única alternativa de mudar-se para um apartamento onde não saberá cozinhar mais do que esparguete com atum. Em muitos aspectos, José permanece quem mais ordena. Mas as razoáveis indicações deixadas ontem, contra o City, não chegam para demonstrar que continua a ordenar em todos.