Vieira precisa de um empurrão

João Sanches

Tópicos

O que está em causa para o Benfica, nas atuais circunstâncias, é um título com impacto imediato, mas com múltiplas implicações na reforma prometida

O último bicampeonato da história do Benfica foi festejado há quase 31 anos. Falhá-lo, agora que está à distância de nove pontos, seria catastrófico, reduziria à insignificância qualquer dos desastres ocorridos num passado recente. Percebe-se a inquietação de Luís Filipe Vieira, chamando à terra jogadores, equipa técnica e adeptos. O que está em causa, nas atuais circunstâncias, é um título com impacto imediato, sim, mas com múltiplas implicações futuras. O presidente precisa de forte balanço (e de crédito) desportivo para, com ou sem o treinador Jorge Jesus aos comandos, abrir um "novo ciclo" na próxima temporada, que pretende que seja de regeneração financeira, pondo em prática o há muito prometido plano de redução da massa salarial do futebol profissional, sem violentar, porém, a capacidade competitiva. Vieira dispõe-se, como nunca nos últimos anos, a transferir qualquer ativo por preços minimamente razoáveis - para quem compra, mas também para quem vende - e, no que diz respeito a entradas, além de exigir o aproveitamento dos mais promissores da equipa B, quer empatar menos capital no reforço do plantel; procura soluções jovens, com substancial margem de desenvolvimento - por isso olhou para Hassan e Ederson, ambos do Rio Ave -, em fim de contrato ou, no limite, a custo controlado (até quatro/cinco milhões de euros). É um desafio gigantesco, uma montanha superexigente, mas será mais fácil encará-la de pé do que de joelhos.