Videoanalgésico

João Sanches

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Clubes e adeptos estarão prontos para acolher tecnologia contra e a favor?

Os principais clubes portugueses têm brindado adeptos e curiosos com "pequenos torneios de circunstância" em que interesses próprios e antagónicos se desafiam. O mais recente é o do legislador. O futebol português transformou-se num enjoativo campo de batalha onde todos reclamam e onde vale (quase) tudo para fundar justificações, porque no fim, nas diferentes camadas de objetivos do campeonato, só ganham uns. E o crescimento da dificuldade de acesso direto à Champions - em 2018/19 só o campeão estará garantido -, ao que se soma a gorda receita extraível da participação na prova e o potencial desequilíbrio competitivo que a mesma pode decretar no plano interno, é um cenário que promete acentuar clivagens e aumentar o volume e a frequência das queixas da elite, se os clubes, na Liga, não aceitarem disciplinar e disciplinar-se depressa e a sério. No meio da embrulhada, com contas desportivas por finalizar, o presidente da FPF antecipa o videoárbitro, que, como O JOGO noticia, será uma certeza em todos os jogos do campeonato na próxima época. Com decisões-chave que podem oscilar entre 12 e 15 segundos, o futebol de 90 minutos, como o conhecemos, passará à história. A questão de fundo, no entanto, será perceber até que ponto o público e os clubes estarão mesmo preparados para uma solução analgésica que, sendo boa em tese até para limitar a agitação, "apenas" promete mitigar erros de arbitragem, não os erradicará. E é válida para todos, contra e a favor.