Uns sonham, outros vencem

João Sanches

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Há os técnicos que se dizem "habituados a ganhar títulos"... e depois há Mourinho, que massaja o ego com troféus.

Na eventual esperança de melhor venderem a imagem, crendo em plateias dormentes, há aqueles treinadores que se dizem "habituados a ganhar títulos", como se tivessem passado toda a vida a escavar sucessos, dos que objetivamente preenchem e enriquecem currículos, nos mais diversos cantos e bancos experimentados, aquém e além-fronteiras. E depois há outros técnicos, como José Mourinho, realmente vencedores e mais talhados para comprar "guerras" do que desculpas, com provas dadas em diferentes países, nas maiores ligas do futebol do Velho Continente e com repetido e assinalável êxito nas competições da UEFA. Pela quarta vez presente numa decisão europeia, a primeira com o emblema do Manchester United gravado sobre o coração, o português manteve o aproveitamento nos 100 por cento, colecionando um troféu alusivo à Liga Europa. Pela forma efusiva como se manifestou no relvado, soltando sorrisos e boa disposição no momento de celebração, esta conquista internacional soube-lhe tão bem como a primeira em 2003, em Sevilha, então pelo FC Porto. Tanto como a equipa que comanda, Mourinho precisava de voltar a ganhar, porque os últimos anos em Inglaterra foram antipáticos e adensaram-lhe os cabelos brancos. "Há muitos poetas no futebol, mas os poetas não ganham muitos títulos", reagiu o treinador após o sucesso, confessando-se "desgastado" por um ano muito trabalhoso, mas no remate do qual demonstrou que está bem vivo... e não se massaja com palavras.