Projeto? Ganhar!

João Sanches

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O Sporting vota hoje como e com quem tentará ser campeão. A seca tem 15 anos.

Para desfiar o novelo eleitoral do Sporting, é necessário revisitar o dia 19 de maio de 2016. Anunciou-se então a extensão do contrato de Jorge Jesus, com incremento salarial. Na perspetiva de Bruno de Carvalho, a equipa de futebol, tirando lições dos erros que sabotaram a anterior "apanha do título", iria enfim fundir-se com o sucesso, e a sua recondução presidencial haveria de ser mero detalhe, sem oponente. Enganou-se. Carregou no investimento, mas os resultados foram os piores do mandato. Estrategicamente, para contar espingardas, construiu um tabu em torno da recandidatura. Confirmou-a a 29 de dezembro, três dias depois de Pedro Madeira Rodrigues, surfando a vaga dos contestatários, ter entrado num ciclo de luta pelo poder que arrisca não cessar hoje. Bruno não o levou a sério. Pensou como os apoiantes de Godinho em 2011 quando ele, um "desconhecido", emergiu. Facilitou no debate - Madeira aproveitou o tempo de antena para salgar as feridas do concorrente -, mas forçou a emenda no Facebook e nas entrevistas que tende a transformar em monólogos. Bocas? Houve e há sempre. Em 2011, por exemplo, Bruno chegou a dizer que não queria Futre "nem para porteiro do clube", mas hoje tem o voto dele. Ideias? Na essência, o "projeto" de Madeira é o de Bruno, e vice-versa. A diferença (a sufragar) tem raiz nas pessoas (competências e personalidades) e nos seus estilos na perseguição da realidade ganhadora no coração do negócio - a (in)sustentabilidade financeira e o aproveitamento da formação são "apêndices". Ressalta "a" promessa transversal: ser campeão no futebol até 2021. Um jura que sai se não conseguir (PMR), o outro (BdC), mesmo ganhando hoje de goleada, como roga, sabe que será impossível resistir a novo fracasso.