Pressionados

João Sanches

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"Equívoco", no Sporting, é negar-se a preocupação de fundo: abundam promessas, escasseiam resultados...

Amarrotados pela segunda derrota consecutiva no campeonato - que deixa a candidatura ao título nacional presa por um fio, quando já se vai avistando a metade da competição -, jogadores e treinador do Sporting retiraram-se do relvado de Alvalade no último domingo debaixo de sonoros insultos e vaias, decorados com alguns lenços brancos. Perante a incapacidade para dar a volta a um "fragilizado" Braga - despedira o treinador dias antes -, a plateia leonina reagiu com inevitável contundência e, implacável, castigou os seus, replicando o que se observa noutras casas em idênticas circunstâncias. "Equívoco", no entanto, é agora, a frio e por conveniência - porque amanhã há outro jogo... -, querer negar-se uma penalização que, embora manifestada a quente, não ofereceu dúvidas quanto à preocupação de fundo: sem aproveitamento desportivo que acompanhe o ritmo de promessas de sucesso e de bom futebol, os adeptos protestam. Nada de anormal em futebol, ainda que as reclamações configurem notícia saliente por se tratar de um sinal de que a dupla liderança - a de gabinete (Bruno de Carvalho) e a da área técnica (Jorge Jesus) - está a ser questionada (em simultâneo) como nunca após março de 2013. Se o momento justificaria a ida de membros da Juventude Leonina, a mais antiga claque do clube, à Academia para abordar jogadores e técnico, com o fito de... "dar apoio" antes da visita ao Restelo, essa será sempre uma discussão controversa e com pano para mangas. Mas que a pressão está nos píncaros - e se estende ao cenário eleitoral -, essa é uma evidência que desfila diante dos nossos olhos.