Penitência

João Sanches

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Se perder esta Liga, o técnico que reclama conduzir "a melhor equipa" deverá olhar para os pecados próprios

Há quem jure que foi assim: "Míster, não lhe responda, que a gente trata do assunto no campo", disseram os jogadores do Benfica a Rui Vitória, ainda antes de 2015 terminar, na fase em que o bate-boca entre os técnicos das águias e do Sporting era ácido como nunca. Esta é uma história que gente conhecedora conta nos bastidores para explicar a ressurreição dos encarnados num campeonato que, a certa altura da primeira volta, estava francamente inclinado para os rivais de Alvalade. À superfície da discussão ao milímetro em que se transformou a principal prova futebolística temos os factos, e esses sugerem-nos que Jesus se deixou iludir pela vantagem pontual cavada para a sua antiga equipa no primeiro terço da Liga, sendo protagonista de excessos de linguagem que na trincheira contrária souberam converter em elemento regenerador. Tudo isso, sendo muito, é também insuficiente para justificar a cambalhota a que assistimos, convenhamos. Há que dizê-lo: Jesus deu ares de convencimento de que as faixas não lhe fugiriam - e que gozo lhe daria ser campeão contra o Benfica! Mas se perder este título, porque certezas só as teremos amanhã, o técnico que reclama conduzir "a melhor equipa" também deverá apontar o dedo a erros próprios na crueldade que lamenta, porque os houve, e aprender com eles. Por exemplo em casa, onde lhe competia ser devastador ou muito perto disso, faltou "andamento": o Sporting esbanjou nove pontos, seis contra segundos e terceiros planos (Paços de Ferreira, Rio Ave e Tondela) e três no cara a cara com o Benfica.