Minas em casa

João Sanches

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Mais do que os rivais, para já é o Benfica que vai pondo em perigo o inédito tetra

O número invulgar de lesões no Benfica numa fase tão precoce da temporada dá que pensar e exige apuramento de responsabilidades por parte de quem manda no clube e lidera a gestão do futebol profissional. Num quadro de normalidade no plantel, arrisco mesmo que, na terça-feira, com golo ou sem golo marcado, o regresso de Talisca à Luz teria produzido razões só para metade do falatório a que vimos assistindo. Porque é abissal a diferença entre descarregar na equipa Jonas, Mitroglou e Jiménez - que na temporada anterior, em conjunto, valeram "apenas" 73 golos - e não poder lançar nenhum dos arrombadores de balizas. Neste "detalhe" que é o ataque, concedamos, será injusto apontar o dedo ao controlo preventivo do Benfica LAB ou à atuação do departamento médico, porque o trio de avançados foi parado por fatalidades comuns. Já a repetida ausência de Jonas, e a "misteriosa" infeção no seu pé direito, poderá levar a que se pense mais em aselhice, seja de quem for, do que propriamente em azar. Indiscutível e inquestionável é o desarmamento objetivo do tricampeão - se a perda de pontos no início da Champions, num grupo que a teoria descreve como acessível, tem valor relativo, o mesmo não se aplicará no que à campanha na I Liga diz respeito. E o presidente dos encarnados, Luís Filipe Vieira, foi explícito: todas as forças têm de ser orientadas para um inédito tetra. Fasquia bem alta, para que ninguém duvidasse. Mas pelos vistos, e para já, a maior ameaça às probabilidades de sucesso parece estar dentro de casa e não tanto (ou apenas) na capacidade dos crónicos rivais.