Juízo de miúdos

João Sanches

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É outro Sporting-Benfica: de um lado tapa-se miúdos, do outro destapa-se - das circunstâncias às decisões, no balanço do campeonato tudo contará

É pancada cá, pancada lá, na certeza absoluta de que o dérbi que tem Sporting e Benfica como protagonistas atravessará a temporada de uma ponta à outra, fora e dentro de campo, gravitando ainda a promessa de muita intriga se desnudar até ao verão. Com tropeções sucessivos, um deles em confronto direto com o rival, o leão largou a liderança do campeonato e, reduzido a esta prova, vê-se na contingência de terminar de mãos vazias uma campanha que deveria ser de consolidação e afirmação da política governativa de Bruno de Carvalho, num ano em que a vertente financeira acusa o peso da jogada. E, é inevitável, quanto maior for o risco de ficar para trás na luta pelo título, mais ampla será também a reflexão sobre a utilidade e o acerto de certas escolhas do treinador Jorge Jesus. Uma delas chama-se Bruno César, o ala esquerdino recrutado ao Estoril no mercado de inverno, anos antes "despachado" para a Arábia pelo Benfica, facto que - como se percebeu na semana do último mano a mano dos vizinhos desavindos - constitui ponto de tensão. Os dados de utilização na frente que justificou sacrifícios mostram-nos que a contratação do brasileiro teve como consequência o "apagamento" de Gelson e Matheus, dois meninos da Academia. É aqui que reentra o Benfica de Rui Vitória: o assalto ao primeiro lugar da Liga foi feito, e está a ser defendido, com Ederson, Lindelof, Renato Sanches e Nélson Semedo no onze, todos eles miúdos com carimbo da casa. Das circunstâncias às decisões, na hora do juízo final, tudo importará.