Estorvo no bolso

João Sanches

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A redução de expectativas (desportivas e financeiras) recomenda cortes na densidade de recursos do Sporting

Dizer que o Sporting desiludiu neste regresso aos grupos da Liga dos Campeões é capaz de que ser um furo gigante na caixa da honestidade analítica, se tivermos em linha de juízo que a equipa leonina teve de se bater com Real Madrid (campeão em título) e Dortmund por uma vaga nos oitavos de final. Todavia, podemos virar o contexto de pernas para o ar e afirmar, sem margem de erro, que esta Champions foi uma desilusão para os verdes e brancos, que antes do sorteio não admitiam menos do que a passagem à fase seguinte da prestigiada e prestigiante competição. A uma jornada do fim desta fase, a ambição da equipa de Jorge Jesus está reduzida à qualificação para os "16 avos" da Liga Europa, um objetivo que, no entanto, tomando como guia de avaliação o recente discurso do treinador, não será secundário ou irrelevante. A reflexão final sobre a campanha europeia, essa fica para daqui por duas semanas, quando os números esganarem as projeções e forem definitivos... em vésperas de dérbi com o Benfica. Mas os dados atuais já têm expressão para inspirar conclusões. Uma delas é que o plantel terá de ser repensado e reconfigurado em janeiro, porque a redução de expectativas (desportivas e financeiras) recomenda cortes na densidade de recursos - refletida na folha de vencimentos - que se tornam redundantes. Por um conjunto de razões diversas, reforços como Meli, Petrovic, Douglas e Elias passaram ou têm passado ao lado da época. Sem Champions, a quantidade converte-se em estorvo. Com o mercado de inverno à distância de um mês, há decisões antipáticas para tomar.