Eixo de stress

João Sanches

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No Sporting: Semedo ou Douglas? Rara é a conquista desobrigada de sacrifícios...

Treinador inteligente é aquele que arranja sempre forma de se desembaraçar de palavras ou afirmações próprias. E chegamos a Jorge Jesus, sem dúvida um quebra-amarras. Depois da enxurrada de golos sofridos pelo Sporting nas últimas jornadas de campeonato - oito em três jogos, para sermos precisos -, é de se admitir que o técnico reveja a organização defensiva e pondere a troca de elementos, também (mas não só) em virtude da confirmada ausência de Adrien, lesionado, por um período até seis semanas. Pondo os olhos no eixo da linha mais recuada, e relacionando-a com o compromisso no horizonte, para a Taça de Portugal, no reduto do Famalicão, há uma questão que se escancara ao debate: Douglas será lançado no onze para no encontro sucedâneo voltar a sentar-se no banco ou na bancada? Ou, pelo contrário, entrará para ali se fixar, rendendo potencialmente Rúben Semedo? Paixão antiga que o treinador assume sem pudor, quase como se de uma medalha se tratasse, Douglas mudou-se para Portugal a pensar em tudo menos em fazer turismo. Isso, claro, agrada a Jesus, que tem a utilização do brasileiro - com ordenado próprio de um titular, diga-se - arrumada entre as "ideias fixas". E se este central feito, na primeira chamada à competição, corresponder ao que dele se espera, dificilmente o comandante se recusará a dar-lhe a sequência "prometida" pela transferência para Alvalade, mesmo que essa decisão implique baixar Rúben Semedo para suplente e descarregar gelo sobre o "projeto" de guiar rapidamente o jovem à Seleção A portuguesa. Rara é a conquista desobrigada de sacrifícios. E o Sporting "só" pode ser campeão.