E o muro caiu

João Sanches

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Esfrangalhada a confiança, o dinheiro inglês tinha mesmo de levar Adrien

Quanto vale a palavra no futebol quando em causa estão possíveis transferências milionárias e temos dirigentes e treinadores de um lado e jogadores e empresários do outro, pugnando por interesses antagónicos ou inconciliáveis? A confissão de Adrien a O JOGO em face do objetivo interesse do Leicester, admitindo sem pruridos o desejo de terminar um longo ciclo de "lealdade" ao Sporting para poder "abraçar o desafio" proposto pelo campeão inglês - que se predispôs quadruplicar-lhe o vencimento -, fez estremecer Alvalade, mas não derrubou logo o muro que separava o capitão de equipa e o presidente leonino. Há o amor ao clube, e esse o médio enfatizou-o, e depois há os negócios. E, sempre adjacente, a palavra, claro. Então, quem falhou no entrosamento? O desabafo do jogador tinha todos os condimentos para ser entendido como cobrança de uma autorização de venda garantida por Bruno de Carvalho à margem do contrato lavrado, "desde que recebesse uma proposta interessante para as duas partes". Para Adrien, valorizado pelo Europeu, os 25/30 milhões de euros propostos pelo Leicester seriam o preço certo; para o presidente... não. Pior, em comunicado de resposta, forçou-se a nota: sem os 45 milhões de euros estipulados pela cláusula de rescisão, nada feito! Mas isto aconteceu apenas porque houve um treinador, por trás, a protestar contra a saída e, também por essa razão, importaria mais parecer do que ser? Ou porque, como sugeriu o contra-ataque leonino, o atleta "imaginou" um trato? Com a confiança esfrangalhada, o dinheiro inglês tinha mesmo de chegar e resolver.