Balbúrdia sob ameaça

João Sanches

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Meirim na disciplina, Fontelas Gomes na arbitragem: ao mudar, Fernando Gomes assume falhas na FPF e desafia todos os agentes a mais ação e menos lamúrias

FC Porto, Sporting e Académica, confirmou-se ontem, não fazem parte do aglomerado de subscritores da recandidatura de Fernando Gomes à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, mas a corrente de ar mais vigorosa numa história com vencedor antecipado foi a apresentação/revelação de José Manuel Meirim como futuro líder - já a partir de junho - do Conselho de Disciplina. A balbúrdia nos juízos, na velocidade das (in)decisões, nos castigos ou nos critérios dos mesmos é uma evidência inqualificável, que só tem contribuído para denegrir e arrastar a modalidade para as zonas mais pantanosas da discussão. O futebol português, isto é, o que de bom e melhor dele se pode esperar, necessita de um especialista em direito do desporto com o nível de esclarecimento e, já agora, de insuspeição e isenção que Meirim tem revelado nas suas intervenções nestes meandros, independentemente das cores dos emblemas envolvidos nas refregas. No entanto, para decidir bem (e depressa), há que olhar para o regulamento disciplinar e torná-lo decente e ajustado às práticas. É uma batalha à medida das expectativas suscitadas pelo último reforço de Fernando Gomes, que, ao alterar os rostos da disciplina (Herculano Lima por José Manuel Meirim) e da arbitragem (Vítor Pereira por José Fontelas Gomes), assume falhas e, ao mesmo tempo, desafia todos os agentes (Liga e clubes incluídos, obviamente) a mais ação e menos lamentos fúteis nos próximos anos.