Baile dos crentes

João Sanches

Tópicos

A esperança alumia FC Porto e Sporting, mas o clássico deverá alterar o guião

A demagogia não entra aqui. Foi por necessidade, que encontra raízes nos fracassos desportivos e desequilíbrios financeiros, que FC Porto e Sporting redefiniram, com brusquidão, os denominados "projetos desportivos". A matéria-prima da formação teve mais encanto. Tudo isto, para não pularmos a cerca, neste campeonato, que hoje à noite no Dragão, em face da cedência do Benfica, atingirá temperaturas inimagináveis há três semanas. Nuno Espírito Santo foi o primeiro treinador a falar sobre o clássico. Mais cómodo, na linha "contra tudo e contra todos", o portista cravou a farpa: "Gostamos de depender só de nós." Já Jorge Jesus, menos estafado e sisudo do que quando regressou da Madeira, renovou expectativas e sublinhou a metamorfose numa frase: "Vencer no Dragão não é novidade." A esperança fervilha nas entrelinhas. Com confrontos diretos com o Benfica por realizar, percebe-se porquê: se Nuno se imagina já dois pontos à frente das águias, Jesus vê-se "apenas" quatro pontos atrás e... tudo pode suceder. Antes do duelo desta noite, ambos mostram crença no título. No fim, se calhar só um acreditará.