Arrastão 35

João Sanches

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Renato Sanches é prova do muito que se jogou fora das quatro linhas nesta Liga

Esperada, a notícia estourou ontem de manhã: às 11h03, num comunicado à CMVM, o Benfica oficializou a venda de Renato Sanches. O médio seguirá para o Bayern Munique por 35 milhões de euros, incluindo-se no acordo bónus capazes de elevar o encaixe até 80 milhões. A transferência foi conhecida a cinco dias de os encarnados poderem selar a conquista do seu 35.º título nacional, mas, no meio deste bolo, a carga simbólica situa-se acima daquilo que rápida leitura das aparências nos pode sugerir. O negócio configura nova prova objetiva de que neste campeonato se jogou, e muito, fora das quatro linhas. Falo de razões claras: há menos de um ano, Sanches era "o 8 do presidente". Assim foi apresentado por O JOGO aos seus leitores, por se tratar de uma aposta de Luís Filipe Vieira, que se baseou em relatórios técnicos internos (e não só) quando impôs o "unificador" de 18 anos a Rui Vitória. Para arrumar na cova o ciclo Jorge Jesus, era imperioso fazer vingar a política desportiva que se alimenta do melhor que a formação gera. Isso só se seria viável abrindo uma linha de sucesso, cenário que no fim de novembro, após eliminação da Taça - e perdido o quarto clássico -, parecia improvável. Emergiu então o miúdo, a desesperada solução para colar o meio-campo. E resultou: "poderoso" - citando Rummenigge, o futuro patrão -, arrastou equipa e adeptos, promovendo reconciliações. Depois, quando falhou - como aconteceu, domingo, na Madeira ao ser expulso -, a mesma equipa valeu-lhe. Agora, ele é rosto dos "35" - o confirmado e o encomendado. Chegaria aqui tão depressa se o treinador fosse Jesus? Pois...