Ameaça à prova

João Sanches

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O FC Porto esqueceu-se das chaves na porta e regressa de Munique ferido. Lopetegui promete que se "levantará" com o Benfica. O que vale isto?

O sonho virou pesadelo em Munique, mas a conclusão que mais choca quando se apalpa o resultado global e o recheio dos "quartos" da Champions perdidos pelo FC Porto para o Bayern é que, afinal, era mesmo possível avançar, nem que fosse por uma unha de Jackson, para o patamar seguinte. É a sensação que fica pelo que a equipa portista foi capaz de produzir na primeira mão e pelo que conseguiu exteriorizar na última vintena de minutos no Allianz Arena, já desamarrada do plano de resistência. No balanço do rombo, Herrera sugeriu que os dragões entraram com "excesso de confiança". Talvez seja mais correto ver o problema ao contrário: houve défice de desconfiança. Perante um adversário ressabiado e enraivecido pelos banhos de bola e de estratégia levados há uma semana em Portugal, e que por isso haveria de estar sobretudo preocupado em lavar a honra - carregar, esmagar, golear... e festejar quase como se a conquista do troféu se decidisse neste encontro -, o conjunto de Lopetegui, incapaz de se esticar até próximo da baliza de Neuer, tentou trancar-se, mas deixou as chaves na porta - o assalto, para o Bayern, foi canja. Louve-se a clareza e a honestidade de Jackson: "Pelo que fizemos no segundo tempo, vimos que podíamos ter feito mais no primeiro." Com estas palavras, o capitão foi o primeiro a bater no peito e, puxando pelas tropas, a fazer a ponte para o clássico com o Benfica, na decisão da I Liga, o tal em que Lopetegui promete que o FC Porto se "levantará". Ferido, será mais perigoso no tudo ou nada, é isso? Domingo, na Luz, logo se verá o que vale esta "ameaça"...