Agulha ajeitada

João Sanches

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O Benfica não está para brincadeiras na corrida ao "tri". Jesus motiva ainda mais

As aparências são, muitas vezes, inimigas da perceção. Olhe-se para o que se passa no Benfica: ao trocar de treinador, fechando um ciclo de seis anos de trabalho com Jorge Jesus, e ao proclamar a abertura do aproveitamento do que de melhor tem sido capaz de produzir na formação, mudou realmente a agulha no futebol profissional ou ajeitou-a? Sou pela segunda conceção. Contem-se as histórias que se contarem, os encarnados alteraram o principal rosto técnico porque quiseram. E a maior prova disso é a forma convicta e firme como o presidente resistiu à onda de histerismo em seu redor para que desistisse de Rui Vitória e chamasse Marco Silva, acabado de despedir no Sporting, numa decisão legítima, mas mal conduzida. Marcando os seus tempos, Luís Filipe Vieira segurou o treinador que há muito tinha escolhido para guiar um plantel com padrão de qualidade diferente do das últimas épocas, mas que não terá de ser necessariamente menos competitivo ou ambicioso. Nas entradas, para garantir qualidade (acabada ou por aperfeiçoar) e reduzir custos, o truque é acreditar na labuta silenciosa dos olheiros, escolher bem e atacar pela certa. As contratações de Taarabt e Carcela são uma singela amostra de que o Benfica, no plano das intenções, não está para brincadeiras na corrida ao tricampeonato, ao contrário do que se possa imaginar. A reconversão faz-se também com frieza e lábia negocial na hora de faturar a sério com a venda ou câmbio de peças, mas, mesmo que ninguém o admita, a passagem de Jesus para o banco do rival é uma motivação para se fazer mais e melhor - desde a preparação até aos resultados na Liga dos Campeões. Coincidência ou não, Carcela vê nos "quartos" o objetivo na prova milionária...