A guerra pode esperar um pouco

João Sanches

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Aquecendo para o clássico, Jesus e Lopetegui cortaram no acessório, mas o português não reprimiu uma cotovelada

Competindo ombro a ombro nos últimos quilómetros da maratona de futebol que tratamos por campeonato, os treinadores de FC Porto e Benfica, uma semana antes de se enfrentarem no cada vez mais possível tira-teimas da Luz, pouparam nos pretextos para sacar considerações afiadas e, no lançamento das respetivas partidas de hoje, concederam folga à fornalha das quezílias. Interessante, sim, mas ninguém nos garante que a cena se repita ao final da tarde deste sábado, sejam quais forem os resultados que ambos colham diante de Académica e Belenenses, porque a guerra psicológica faz parte deste mundo - o teor da argumentação, ou a manipulação da mesma, é que pode ser discutido ou censurado. Ainda assim, dando um par de braçadas no mar da autoestima e da competência dos técnicos que trabalham no futebol português, Jorge Jesus não resistiu a um metafórico toque de cotovelo nas costelas de Julen Lopetegui, afirmando que o histórico triunfo portista sobre o Bayern, na Champions, só vem consubstanciar a valia da equipa benfiquista, líder da I Liga "graças" à vitória sobre o rival na primeira volta, no Dragão, de onde o conjunto alemão saiu há dias bem torcido. Guardando energias para estimular por dentro, Jesus e Lopetegui focaram-se no essencial e cortaram no acessório, mas quem disse tudo numa frase sobre esta jornada foi o espanhol: "Temos três pontos para ganhar, iguais ou mais importantes do que os das restantes partidas."