Uribe e o lado visível do trabalho invisível

Uribe e o lado visível do trabalho invisível

De Makelele a Kanté e até Uribe, os operários das equipas tornaram-se mestres e ganharam o direito a ser considerados ao nível das estrelas. A sua falta, porém, pode ser dramática...

Em 2003/04, a venda de Makelele pelo Real Madrid ao Chelsea foi um empurrão decisivo rumo ao precipício dos denominados galácticos, onde pontificavam Figo, Zidane, Beckham. E depois Owen e um tal Gravesen, cuja imagem (apenas isso) era mais feroz do que a do discreto médio francês que, ao contrário dos merengues, continuou a somar títulos nas épocas imediatas.

Anos mais tarde, um outro francês, Kanté, também pouco dado a notoriedade mas muitíssimo a eficácia, ajudou a trazer à luz o chamado trabalho invisível que é fundamental numa equipa e que conferiu aos outrora trincos e médios-defensivos o brilho de estrelas e a nomenclatura de médios de equilíbrios.

Porque é isso que fazem: cabe a este tipo de jogadores compensar qualquer inclinação do relvado, tentando garantir que é sempre favorável à respetiva equipa ou, no mínimo, que se mantém plano...

Embora não tendo exatamente o mesmo perfil de jogador (o portista tem mais chegada à área contrária), a ausência de Uribe no onze do FC Porto remete para a importância dos ocupantes daquela posição no desempenho da equipa e em como personificam o mais puro espírito coletivo, trabalhando para que outros brilhem. No caso dos dragões, faz sentido questionar se Vitinha e Fábio Vieira teriam o atual protagonismo sem um "guarda-costas" como Uribe.

Apesar de tudo e da sua preponderância no onze, como atesta a utilização que lhe dá Sérgio Conceição, a falta de Uribe não será o mesmo que a ausência de Makelele foi para os galácticos, a quem faltava, por exemplo, um Otávio e o compromisso coletivo que ajuda a superar baixas assim. Como o que agora irá a exame no FC Porto.