Universo paralelo

João Araújo

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Futebol português está longe de ser um extraterrestre no planeta da bola

Ainda que isto soe a heresia, mais ainda nos tempos de crispação que correm, o futebol português não está sozinho no Universo. Nem sequer neste universo tão seu, em que o futebol jogado parece cada vez mais um mero pretexto para a existência de "prolongamentos" televisivos ou do género facebookiano, que claramente captam a atenção de mais adeptos do que as bancadas da maioria dos estádios... De vários lados surgem sinais de que a polémica e as discussões não são exclusivo deste país e respetivo futebol, pequenos em dimensão mas enormes em coração: em Inglaterra, outrora paradigma do fair play, dois dias depois, os ecos da discussão/confrontos-no-túnel/lançamento-de-pacotes-de-leite-a-Mourinho ganharam novo fôlego, com o técnico português e o seu némesis Guardiola a voltarem a expor pontos de vista opostos sobre se os festejos do Manchester City em Old Trafford terão sido exagerados. Até Klopp e Wenger, técnicos de Liverpool e Arsenal, foram chamados ao debate, bem como os habituais comentadores de serviço. Estes, para quem não acompanha, apesar de ex-praticantes - de Lineker a Souness, passando por Carragher, Ian Wright, entre outros -, também fazem pensar se a maledicência será critério obrigatório... De Espanha chegam ventos (com origem nos Emirados!) dando conta do desacordo de Zidane com "detalhes" do VAR que só funcionará em "La Liga" na próxima época; de Itália, o pedido dos adeptos do Nápoles para que a equipa abandone a Serie A caso persistam os erros que dizem prejudicá-los domingo após domingo e que os dirigentes atribuem às pessoas por trás do VAR.

O futebol português não é, definitivamente, um extraterrestre neste universo. Valha-nos que hoje e amanhã há Taça, onde apesar de tudo ainda há espaço para sonhar com quimeras, com ou sem autocarros ou, como diria Jorge Jesus, conteúdos técnico-táticos. Este sim, sem outro à sua imagem e semelhança em todo o Universo!