Uma etapa, duas corridas diferentes

Uma etapa, duas corridas diferentes

Dois dias antes do segundo dia de descanso do Tour, que antecede a aproximação aos Pirenéus e às derradeiras oportunidades para incomodar a liderança bicéfala da Sky na alta montanha, esta 14ª etapa, com chegada nas duras rampas para o aeródromo de Mende apresentava-se como terreno ideal para vingar uma fuga e, em simultâneo, tentar uma emboscada ao(s) líder(es) da geral. Sim, porque numa grande volta como o Tour são várias as corridas e os dramas que se desenrolam em simultâneo.

Na batalha pela etapa, Omar Fraile calculou melhor as forças e a distância do que Stuyven e Alaphilippe - passou o primeiro antes do final daqueles três quilómetros a 10% de inclinação média e, corpulento e poderoso a rolar, acelerou na curta descida final até à meta e à vitória na etapa, estreando-se a festejar na Volta a França. Num final que parecia desenhado à medida do seu poder de "puncheur", como dizem os compatriotas franceses, a Alaphilippe faltou um danoninho...

Já na grande guerra pela vitória final, foi curioso ver a preocupação dos vários blocos em ter uma boa colocação antes da entrada na subida final - qualquer distração ou uma entrada a meio do pelotão poderia significar tempo perdido na meta, bastaria ser apanhado por um corte no grupo ou atrás de outro ciclista em marcha mais lenta, por exemplo. No Tour não há um dia nem um momento de tréguas, daí aquela aceleração entre as equipas dos homens da geral. No final, entre estes, sorriu Roglic - a viver um ano de verdadeira explosão, depois das boas indicações de 2017. E atenção a este esloveno, excelente contrarrelogista, pois os segundinhos ganhos em Mende significam que vai lutar por entrar no pódio. Para já, distanciou quem o persegue (Bardet, Landa, Kruijswijk ou Quintana) e não estranhará se continuar a amealhar uns segundos aqui e outros acolá até ameaçar verdadeiramente Dumoulin.

O Tour ganha-se e perde-se dia após dia e é claro que também Thomas, Froome e Dumoulin sorriram com o atraso dos já referidos rivais, sobretudo os da Movistar. Domingo há uma montanha de primeira categoria a 36 quilómetros da chegada, portanto... até aos Pirenéus! Ali, a equipa espanhola voltará à luta, não só pela tradicional presença de adeptos a incentivá-la, pelo terreno que conhece bem, mas especialmente em nome da honra.