Um recorde ao fundo da semana

Com os holofotes mediáticos apontados ao jogo do Benfica em Liverpool e às ilações que daí sairão para o dérbi de domingo, com licença do Braga, Sérgio Conceição parece ter tudo a favor. Ou não?

O arranque da semana em que Benfica e Braga jogam a vida na Europa deu-se na esteira do recorde portista de 57 jogos seguidos sem conhecer a derrota no campeonato, batendo a anterior marca, que datava de 1978 e pertencia a John Mortimore, como por todo o lado se leu e ouviu.

E tal como será recordado o atual máximo, assinado por Sérgio Conceição e deixando para segundo plano (e acabando por cair no esquecimento) os jogadores que também são protagonistas destes feitos, o que faz pensar que será das poucas situações benéficas aos treinadores na instável e por definição injusta partilha de responsabilidades com os plantéis.

Já a partir de hoje, e por força do mediatismo da Champions, de Benfica e Liverpool, a conversa será outra e prosseguirá semana fora, seja ou não consumada a epopeia a que as águias estão obrigadas. Até porque qualquer dos desfechos servirá para projetar o dérbi de domingo com o Sporting, que passará a ocupar a fatia principal do espaço mediático, eventualmente intercalado pelo Braga, cujo pico de audiência televisiva na vitória europeia da semana passada foi uma autêntica pedrada no charco no "tripolarizado" futebol nacional.

É difícil imaginar um cenário mais tranquilo para o FC Porto preparar a receção ao Portimonense, que nunca ganhou no Dragão e até acaba de perder Lucas Fernandes, que era dos mais utilizados por Paulo Sérgio. Parece a semana ideal para ampliar e, igualando o Milan do início dos anos 90, amplificar Europa fora a série invicta dos portistas. Exceto, talvez, para aquele que poderá deixar a assinatura num novo recorde e terá como missão principal convencer os jogadores a manterem-se focados.