Troféu O JOGO/Leilosoc: regresso ao passado num ciclismo de futuro

Troféu O JOGO/Leilosoc: regresso ao passado num ciclismo de futuro
João Araújo

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As viagens no tempo há muito que são um sonho da Humanidade e tema vastamente explorado na literatura, cinema ou banda desenhada. Para já, pertencem ao domínio dos sonhos, da fantasia, mas quem arrisca dizer que nunca serão possíveis? De uma forma muito particular, iniciativas como o Troféu O JOGO/Leilosoc, sábado e domingo na estrada, também possibilitam tais viagens, em especial para quem, como o autor destas linhas, teve a possibilidade de revisitar protagonistas e momentos de um passado não tão longínquo mas o bastante para se tornar numa - várias - saudosa recordação. O que é igualmente fantástico!

Ouvir ídolos de há 30 anos como Paulo Pinto e Delmino Pereira lembrarem histórias e peripécias vividas no Grande Prémio O JOGO, que entre 1987 e 1993 era uma das maiores e mais importantes corridas do calendário nacional é como entrar numa cápsula espacial e especial, carregar num botão, e regressar ao passado. Mas a um passado com muitas e boas lições para o futuro, inclusivamente de um ciclismo que mudou muito em relação a esses tempos - ao contrário destes protagonistas, os bons valores da atualidade reveem-se nas carreiras internacionais de Rui Costa, Nélson Oliveira, Rúben Guerreiro, Ivo e Rui Oliveira. O sonho deles ganhou asas, crescendo à escala das nossas sociedades. No horizonte já não surge a Volta a Portugal, mas a Volta a Espanha, Itália, França...

A realidade de agora eram as visões de futuro, os sonhos dessa antiga geração, e também por isso este Troféu O JOGO/Leilosoc é especial e emocionante, por trazer de volta essa personagem ímpar enquanto ciclista mas sobretudo como homem que foi José Santiago. Visionário é um adjetivo que lhe assenta bem - como muitos outros - e homenageá-lo pelo que foi e pelo que o ciclismo perdeu quando desapareceu apenas justo. Também ele viajou no tempo, talvez antes dos demais, deixando várias dessas lições que o passado pode ensinar ao ciclismo e que passam por esta ligação aos jornais, umbilical desde a origem de ambos, tal como o indispensável elemento humano, as personagens, as histórias e estórias das corridas, afinal, aquilo que desperta a paixão do público. Para que o ciclismo possa continuar a viajar rumo ao futuro.