Tóxico-clássico

João Araújo

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Troquemos a palavra homicídio no original: temos assistido a uma tentativa de intoxicação por meios audiovisuais

Estava certamente longe de imaginar Mário Jardel, esse verdadeiro pescador de algumas das maiores pérolas do futebol falado, como acertaria em cheio na definição do clássico de amanhã quando proferiu o célebre: "Clássico é clássico e vice-versa". Ao brasileiro, que em Portugal deixou um rasto de devastação de adversários como poucos, é também creditada a frase "quando o jogo está a mil, a minha naftalina sobe", que será mais ou menos aquilo que sentirão jogadores e adeptos à medida que se aproxime o pontapé de saída para o anunciado jogo do título (com adrenalina no lugar de naftalina...). E por isso mesmo sublinhou ontem Nuno Espírito Santo ser importante o controlo das emoções. Só que não será fácil - para os jogadores e todos os outros, incluindo os adeptos. Ou principalmente estes, alvo de uma campanha de intoxicação nos últimos dias. E nem a paragem para a Seleção serviu de trégua. Pelo contrário...

Nesta dita era da informação, reina a... contrainformação. O que nos devolve a Jardel e à sua profecia - há o clássico, que será jogado no relvado, e vice-versa, o seu contrário e que tem estado a decorrer há muito, nos gabinetes, televisões, internet e departamentos de comunicação. Em Espanha, noticiava-se ontem que o presidente do Real Madrid pagara 300 mil euros para que um falso diário digital fizesse propaganda a favor dos seus interesses; por cá, acusam-se funcionários de FC Porto e Sporting de se passarem por terceiros em fóruns radiofónicos. E isso tem impacto em certos canais e jornais... Nesta era das redes sociais, é difícil distinguir informação de mera intoxicação. Controlar as emoções será fundamental, mas Jardel é que estava certo. Há o clássico e a sua vice-versa!