Protagonismo dos treinadores e do bom

Protagonismo dos treinadores e do bom

A liga portuguesa tem uma marca forte dos seus treinadores. A reciclagem com sucesso de sistemas táticos e rentabilização do talento dos jogadores é uma das principais.

1 - Dentro de um campeonato onde os treinadores têm deixado impressões digitais bem marcadas, o Braga-FC Porto de ontem foi mais um capítulo dessa história.

Desde logo pela postura dos bracarenses, algo contra-natura em relação ao que tem sido a atitude dominadora e com muito volume de jogo ofensivo da equipa de Carvalhal - ao assumir, de entrada, um bloco baixo e com a zona central do meio-campo reforçada, os minhotos podem até nem ter surpreendido Sérgio Conceição, mas conseguiram encravar o motor da máquina portista, onde Vitinha, Fábio Vieira e Otávio não carburaram com o à vontade habitual.

E a teia montada pelo técnico do Braga acaba por ser, se não um elogio, pelo menos o reconhecimento da criatividade do homólogo portista.

Sem Uribe mas com Grujic, mais posicional e de menor raio de ação, Conceição recuperou o losango do meio-campo, desenho tático fora de moda. Mas o que são os sistemas ideais se não o casamento perfeito entre um conceito de futebol e a qualidade dos intérpretes? Também o 3x4x3 parecia condenado ao pó dos compêndios da história do jogo até Rúben Amorim, primeiro em Braga e depois no Sporting, fazer dele um sistema vencedor e em voga.

2 - A vitória do Benfica na Youth League foi justamente celebrada pelo estado maior encarnado. Juntou-se ao FC Porto entre os vencedores, pondo fim à maldição de (três) finais perdidas.

Mas nem tudo será bom agora como não era mau antes - dos vencedores das oito edições, só o Salzburgo não consta do top-10 de clubes com maiores receitas com transferências desde 2013/14.

Se o futuro rendimento desportivo destes jovens é uma incógnita, o financeiro parece uma certeza.