Palco ao dramatismo

Um comentário do jornalista João Araújo

Se a necessidade aguça o engenho, este Mundial está já em fase de carestia para algumas seleções e isso, como bem diz o provérbio, tem resultado em espetáculos intensos e imprevisíveis, com muitos e bons golos.

Depois do hino ao futebol que foi o Espanha-Alemanha de anteontem, os jogos de ontem deram sequência a essa ideia de genialidade saída da necessidade, do medo de se ficar pelo caminho demasiado cedo. Será também, como apontou Rui Pedro Silva numa das acutilantes crónicas que assina no nosso jornal, fruto da altura da temporada, com os jogadores em pleno, e da linha cada vez mais ténue entre seleções fortes e fracas.

O facto é que tem sido servido futebol cada vez mais "gourmet" - do espetacular empate a três no Camarões-Sérvia, com golaço de Aboubakar incluído, à quase reviravolta e finalmente derrota da Coreia do Sul frente ao Gana.

A malha da qualificação aperta e o dramatismo alarga: Paulo Bento, que estará na bancada, terá de bater o antigo mestre Fernando Santos para seguir em prova. Se isto não é drama, que dizer do decisivo Irão-EUA de hoje?