Os protagonistas

João Araújo

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Fazer golos ou evitá-los está longe de dar direito ao palco no futebol nacional

Há uma curiosa convergência em declarações recentes de Sérgio Conceição e Luís Filipe Vieira: ambos pediram que o palco fosse dado aos protagonistas, jogadores e treinadores. O presidente do Benfica - e passando ao lado da piada fácil que seria uma referência à expressão "passar a mensagem" nesta época de "missas e padres" (espero que não convoquem uma greve por isto...) - fê-lo ontem; o treinador do FC Porto após o empate na Turquia, com o Besiktas, o que até poderia deixar adivinhar uma espécie de "entente cordiale" com vista ao arrefecimento da panela de pressão do Clássico de sexta. E isso nem seria nada do outro mundo - só não parece ser deste, porque praticamente na mesma altura em que Sérgio Conceição "pedia" a retirada de cena dos demais atores, o presidente portista carregava nas tintas da crítica ao desempenho do rival lisboeta na Champions, onde somou desilusões e humilhações.

Numa época em que o acesso aos milhões da UEFA vai afunilar drasticamente para os portugueses (só o campeão terá acesso direto), todos os argumentos parecem poucos e não entrar nesta guerra seria dar mostras de uma debilidade a que ninguém - já nem o Braga! - pode dar-se ao luxo. Nesse outro mundo, faria sentido que todos remassem rumo à pacificação do Clássico e mais além, quem sabe inspirando-se no protagonismo que outros portugueses - Mourinho, Marco Silva, Paulo Fonseca... - conseguem ou no protagonismo de que outros abdicam, como o treinador do Barcelona, Ernesto Valverde, que respondeu ao erro garrafal dos árbitros que não validaram o golo de Messi ao Valência com o reconhecimento de ter sido favorecido anteriormente contra o Málaga e pedindo a tecnologia "olho de falcão". Com a tranquilidade de quem não precisa de "decretos" para deixar o palco aos protagonistas.