O melhor sítio do pelotão está longe de ser o ideal

O melhor sítio do pelotão está longe de ser o ideal

Um engenheiro belga, chamado Bert Bocken, professor nas universidades belga de Lovaina e holandesa de Eindhoven, concluiu com exatidão, com recurso a supercomputadores, superprogramas de análise de dados e simulação em túnel de vento com 121 bonecos em tamanho real, qual o melhor local para se estar num pelotão de ciclismo. E, para além do que nos diz o senso comum - que ir na roda de outro ciclista permite poupar energia! -, quantificou os ganhos consoante o posicionamento: por exemplo, ir na cabeça do pelotão, de cara ao vento, não é o mesmo que ir de cara ao vento mas sozinho, em fuga. O que puxa o pelotão faz 86% do esforço de um fugitivo, porque o estudo do engenheiro belga demonstra que a termodinâmica faz com haja uma pressão da roda dianteira do segundo ciclista do pelotão sobre a roda traseira do que vai na sua frente, ou seja, "empurra-a". O estudo foi ao ponto de determinar que na cauda do pelotão basta fazer entre 5% a 7% do esforço de quem vai na frente para manter a mesma velocidade.

Nestas etapas do Tour ditas de transição, entre Alpes e Pirenéus, neste caso, propícias a fugas ou a serem controladas pelas equipas dos sprinters que não desistiram, as formações dos líderes da classificação geral ou daqueles que aspiram a destroná-los podem dedicar-se a uma espécie de "repouso ativo" - rolar sem ter o desgaste de puxar pelo grande grupo. Mas isso não significa que façam a "viagem" onde Bert Bocken diz ser o melhor sítio do pelotão - é que rolar na cauda significa estar exposto a toda uma série de riscos que quem discute o topo da geral dispensa bem, casos de cortes provocados por quedas ou furos ou uma mera aceleração na frente da corrida. Daí termos visto hoje a Sky, Movistar e Sunweb circular não na frente do pelotão mas logo atrás. Não no melhor sítio, mas no sítio ideal para fazer face a qualquer necessidade.