Exclusivo O futebol a ser o que é, surpreendente

O futebol a ser o que é, surpreendente
João Araújo

Tópicos

Não é difícil acreditar que o governo e as instâncias do futebol brasileiro e sul-americano deram o proverbial "jeitinho", o que não deixa de ser curioso numa época sem espaço para o improviso

1 - Num dia somos assaltados pela versão mais tecnocrata - engravatada, se quiserem - do jogo, com mais uma perspetiva de disputa entre FIFA e UEFA por um quinhão (ainda) maior do bolo dos milhões que todos os anos é gerado e distribuído por este desporto nado e criado entre classes operárias, que só queriam abrir a válvula da pressão da semana de trabalho com uns piropos a adversários e árbitros, se possível festejar uns golos!

Um dia depois, o maior clássico da América do Sul, o Brasil-Argentina, com jogadores milionários em campo, alguns a jogar em Portugal, como Otamendi e Lucas Veríssimo, e outros no PSG (quatro!), com Messi e Neymar à cabeça, deu-nos imagens que não encaixam nestes tempos de VAR, Fair-Play Financeiro, 4K Ultra HD, jogos sem descanso mínimo de 72 horas, com viagens intercontinentais pelo meio mais um tempinho para uns posts para os milhões de "followers" no Instagram... Aquelas não são imagens destes tempos, mas ao pensar que governo brasileiro, CBF e CONMEBOL podem ter feito "vista grossa" para o jogo se realizar e que autoridade sanitária resolveu replicar no mesmo tom de escândalo, é impossível não constatar que o futebol conserva a capacidade de nos surpreender. Mesmo que isso depois seja resolvido por engravatados em gabinetes...